domingo, 10 de julho de 2016

Spirit of Lion


Coragem é poder dizer sim, seguir em frente, com desejo, desbravando um horizonte em que as pinceladas são escolhas livres e responsáveis. O espírito do leão paira sobre um céu crepuscular revelando a beleza de uma pareidolia quase audível, como um urro que ecoa nas cores douradas de um céu sublime. Majestoso leão devora savanas, como os sedentos por vida, e são eternos em lembranças vivas, quase táteis. As trilhas são de quem trilhou com intensidade e o horizonte sem fim é a certeza de que os olhos verão para sempre. A luz é do brilho de uma alma ao avesso que acende todas as cores, como quem toca o universo com o coração. De todos nossos trabalhos esse sem dúvida, até então, foi o mais desafiador. Hilton encontrou seu melhor traço e trabalhamos juntos para que a demanda enchesse os olhos da generosa alma que tão pacientemente nos esperou. Cada pincelada compôs um trabalho digno de uma confiança irrecusável. Entregar esse quadro foi nossa tarefa mais difícil, mediante a imersão que fizemos em um universo que nos exigiu muito respeito e ética. Desenhar esse sorriso foi o maior mérito de Hilton nesse trabalho e alcançar a satisfação de quem nos demandou esse quadro causou em nós, também, um riso convicto. Esse trabalho com certeza nos trouxe mais confiança e inspiração para novos desafios. Foi uma obra que nos trouxe a centelha de luz que nos faltava para acreditar que podemos agora pintar demandas tão desafiadoras quanto. 

Joker's Sublimation

Nosso primeiro projeto veio como uma grande surpresa: a revelação de um grande talento adormecido. O inconsciente opera o impossível e através da arte alcançamos juntos a tão idealizada perfeição, traçada em muitos momentos desse trabalho por pelos de marta. Uma pintura com requintes, com um traço perfeito, para o rosto do incontestável Heath Ledger, em sua atuação visceral e brilhante como coringa ( The Joker), em uma consagrada superprodução Hollywoodiana. A obra tem em sua essência o fundamento Freudiano do conceito “pulsão de morte”, conceito esse que é o movimento de toda uma teoria.  Nada podemos extrair para realidade dessa obra, tendo em vista que, essa revela, em uma de suas inúmeras interpretações, a utópica sublimação da estrutura perversa. As notas desse piano estão em um campo harmônico inaudível aos ouvidos humanos, com notas de pânico, terror e um gozo perverso irresistível ao inconsciente nefasto dos psicopatas. Hilton se revela ousado e se apresenta para a sociedade mineira sem pedir licença e sem a menor covardia. É um início de um trabalho ousado que revela o inconsciente por meio de aspirações de um traço de pintura clássica e convida a Psicanálise mais uma vez a se sustentar no território de uma ética que não pode recuar. O olhar maquiado de Ledger persegue o expectador nessa obra de forma hipnótica e é capaz de eliciar alucinações musicais tocadas pelas notas de um piano tenso, em um campo harmônico distorcido pela impostura do Outro maléfico. Um primeiro passo surpreendentemente belo e irresistível, mas que não é exposto em nenhum consultório por poder ser a alguns pacientes uma obra um quanto atormentadora. Uma parceira imprevista se inicia há um ano e dá início a trabalhos ainda mais delicados e sensíveis a outras tragédias humanas.